Sobre conversas do meio dia

Atualizado: Jan 18


Ontem relembrei alguns encontros ímpares que a vida nos permite.


Um ex-colega de trabalho, certa vez, impulsionado pelos sentimentos de uma recente perda significativa e a vontade de buscar ajuda profissional, me perguntou:


"Mas qual o sentido disso tudo?" - falava da psicoterapia.


"Quanto tudo isso termina?" - falava da análise e da sua constante experiência de vazio.


Em sua compreensão, com o final do processo terapêutico, receberia "alta" de suas dores, dúvidas e sofrimentos. E quanto mais rápido, melhor.


Lembro de como ele havia se inclinado para frente, seu corpo entregava a sua expectativa.


"Você já montou um quebra cabeça?" - perguntei.


Ele ficou um pouco desconfiado, mas respondeu com a cabeça em sinal de positivo.


"Todo esse processo é uma busca por peças de um quebra cabeça em que a imagem você vai construindo aos poucos. E sabe de uma coisa? Nesse quebra cabeça sempre vão ter peças que faltam. Você pode ver como um buraco vazio, uma lacuna, ou poderá ver as diversas imagens que poderão ser acrescentadas a ele".


Ele (o meu ex-colega de trabalho) ficou ali, sentado. Não houveram mais palavras naquele dia, apenas silêncio.


Me pareceu que estava tão confortável com seus vazios que decidiu abandonar a obrigatoriedade de preenchê-lo de palavras.


Pensei que, talvez, por mais que quisesse o fim da sua dor, ficou aliviado por não ter em si mesmo um final.



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