"Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro"

Atualizado: Jan 18



Antes da pandemia, muitas pessoas já vivenciavam um quadro de sofrimento, angústia e ansiedade que se agravou com a situação de imprevisibilidade, insegurança e falta de controle sobre a realidade ao redor que vivemos atualmente.

É verdade, 2020 foi um ano pesado, com perdas que não podem ser contabilizadas por estatísticas e boletins epidemiológicos.


Ao mesmo tempo, muitas pessoas tiveram oportunidade de olhar mais para si. Muitas pessoas só conseguiram se perceber quando foram obrigadas a se isolarem em suas casas.


Ou melhor, a pandemia fez com que nos isolássemos em nós mesmos.


Mesmo em situações em que tivemos que ficar com outras pessoas em nossas casas, tivemos mais oportunidade de prestar atenção na nossa saúde mental.


Acho que é importante observar como 2020 foi um ano difícil e que ainda devemos manter todos os cuidados em 2021.


Ao mesmo tempo, também acho extremamente importante pensarmos em como tivemos capacidade de lidar com tudo o que está acontecendo atualmente.


Temos que reconhecer a força que tivemos para passar por tudo isso. E, mesmo sem perceber, demonstramos "vontade de vida", como já dizia Schopenhauer, filósofo alemão.

A vontade de vida é a essência mais íntima do Ser Humano e dos animais. Queremos viver, bem ou mal. Isso nos faz ter uma capacidade inconsciente de buscar forças e saídas para os momentos mais difíceis que vivemos. Tentamos a todo custo viver.


É exatamente essa "vontade de vida" que me fez pensar no momento atual e em quantas pessoas decidiram escolher modificar as suas próprias realidades, buscando ajuda profissional para lidar com todos os sentimentos incompreendidos e que geravam sofrimento.


Grande parte das pessoas viveram perdas simbólicas de quem elas eram, do sentido da vida e do que buscam. Isso, em muitos momentos, pode ser percebido como “Não sei quem sou eu”, “Não sei mais o que eu quero” ou “Sei que não quero isso, mas não sei o que quero”.


Isso pode ser compreendido como uma Morte Simbólica do Eu. Vivenciar uma morte de si mesmo é desesperador, é como se estar em um labirinto e não encontrar a saída.


É por isso que toda essa reflexão me fez pensar na música do Belchior: “Sujeito de sorte”, principalmente no trecho: "Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro... Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro".


Apesar das perdas simbólicas, do labirinto sem saída e de vivenciar a morte simbólica de quem acreditou que era, a Vontade de Vida nos leva a ter uma certeza irrevogável de que morremos em 2020, mas em 2021 a gente não morre.



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